As pessoas estão ficando cada vez mais solitárias e depressivas. Estranho que, é fácil chegar nesta conclusão, mas é difícil encontrar os meios que a levam a isto. Está certo que temos a internet como o grande vilão, já que com a facilidade de aproximação acaba separando as pessoas. Mas isso sempre ocorreu. As pessoas sempre foram distantes, independentes de serem adeptas a uma rede social ou não. "Doidão" trata explicitamente esta questão sobre a distância, hipocrisia e a frieza humana no sentido de amizade e amor (não necessariamente "frieza", mas é sempre bom dar uma exagerada extra). O que esperamos quando nos sentimos atraídos por alguém? Como entender ou captar as reais intenções de uma pessoa? Como ser feliz em uma sociedade tão complexa? O objetivo é claro. Abusando de ironia e sarcasmo, acompanhamos uma verdadeira metáfora sobre nós mesmos. Uma forma evidente de reflexo que nos torna transparente.Luke Shapiro (Josh Peck) está prestes a ir para a faculdade. Neste verão quente de 1994, os seus pais recebem uma carta de despejo e as brigas aumentam. Sabendo da atual situação da família, Luke começa a duplicar as suas vendas de maconha, fazendo aumentar o seu ganho, assim como a droga que usa. Consulta-se regularmente com o Dr. Squires (Ben Kingsley), um de seus clientes mais fiéis e que com o tempo vai se tornando o seu único e melhor amigo. Dr. Squires é um tipo debochado que abusa de todo o tipo de droga e ainda tenta salvar o casamento com sua esposa parasita. Possui uma bela enteada, Stephanie (Olivia Thirlby), que coincidente acaba se relacionando com Luke. A relação não parece boa aos olhos do médico, mas a "coisa" vai se desenrolando por contra própria. O filme prioriza esses temas, mas tudo acompanhado de uma surrealidade incrível ao colocar sempre a "droga" em primeiro lugar. Esta, por sinal, se torna a grande protagonista do filme.
O filme foca em Luke, mas desenvolve a história com todos os personagens. Luke é o típico adolescente revoltado, depressivo e que se sente sozinho e único por não ter perdido a virgindade. Encontra Stephanie e logo se apaixona loucamente como se ela fosse a última garota da face da terra (exagero, claro!). Já o Dr. Squires, vendo que o casamento não há salvação, acaba saindo por aí transando com menores de idade. O que resulta em uma ótima participação de Mary-Kate Olsen em uma cena bizarra pelo simples fato de ter sexo, drogas e Kingsley na mesma cena. Algo meio que... Inimaginável (ou nem tanto...). Mesmo que Luke seja o personagem principal, é Dr. Squires que se torna o mais realista. Squires é lunático, mas sempre está disposto a tentar mais uma vez. Sempre tenta consertar os cacos, mas nem sempre dá certo. O personagem é bem construído e possui a uma atuação magnífica de Ben Kingsley, mesmo que seja completamente surreal Kingsley consegue fazer de forma eficaz e até mesmo sutil. Mesmo que resulte em total deboche. Mas, no final, o que fica de lição é que as poucas amizades é que fazem a diferença em nossas vidas. Tão estranhos e tão iguais, Dr. Squires e Luke criam uma amizade intensa e duradoura. Um elo de pai e filho.
"Doidão" não possui um roteiro surpreendente, nem mesmo uma trilha sonora arrasadora. O clichê está ali fazendo hora extra e a direção é apenas eficiente. Ou seja, "Doidão" se torna um filme completamente comum ao se igualar a tantos outros. É claro que isso é na teoria, já que o filme possui particularidades completamente estranhas. Diria que é um filme peculiar e de sensações estranhas. Não é indispensável, mas é agradável. Só para constar, o filme possui Josh Peck como protagonista. Isso mesmo, aquele gordinho que vivia à margem do seu irmão bonitão naquela série adolescente pelo qual não me lembro do nome agora. Sim, ele tem uma boa atuação aqui, mesmo que pareça deslocado em diversos momentos. Seu esforço é interessante, mas não o bastante para criar uma boa química com a sua parceira em cena Olivia Thirlby (que, aliás, é a mesma que fez a melhor amiga de "Juno"). Agora, caso você já viu o filme, me responda uma pergunta: Quantos baseados (ou pessoas fumando ou citando-o) aparecem no filme? O filme deve ter batido alguma recorde neste quesito!
The Wackness | Jonathan Levine, 2008
13 de setembro de 2011 00:29
Hunf dormi no ponto, pensei que o primeiro filme do Levine iria ser aquele que está prestes a estrear em Toronto ... ainda não conferi essa, mas, tenho aqui em casa e o farei logo.
13 de setembro de 2011 10:17
Ah, parece ser mesmo um ótimo filme. Já vi dando sopa na locadora, mas sempre preteri por outra opção. Levine parece ser someone to watch, pois precisamos de comédias bacanas quando Adam Sandler domina nas bilheterias, não é mesmo?
abs! o/
13 de setembro de 2011 10:52
Parece daqueles filmes em que acaba conquistando pela sensação de estranha proximidade... Tinha visto algo, mas, suspeitei quando vi o Josh... Gostei muito de sua resenha!
;D
Sucesso!
13 de setembro de 2011 11:13
Raspante, seu mau :/ Naum atendeu meu pedido... Tah bem, neh...
Beijos, amore... Boa terça.
13 de setembro de 2011 11:25
Sexo entre Ben e a gêmea lourinha?
Jesus!
13 de setembro de 2011 19:20
Tem Kingsley e Thirlby e a temática me agrada. Vou procurar. Eu vi o primeiro filme do Levine, "Tudo por Ela" e achei razoável. Ao menos para o gênero, um bom filme.
13 de setembro de 2011 19:59
Não sei, enquanto lia seu texto eu me desanimava com o filme, mas seu primeiro parágrafo me deu uma expectativa tão boa sobre Doidão... Vou dar uma chance, é de um filme assim que estou precisando agora.
Abraços
14 de setembro de 2011 10:10
mary kate? sem a ashley? em uma cena boa?
raios e trovões...
14 de setembro de 2011 15:08
Nunca assisti Alan, doidão, rs!
Abs.
15 de setembro de 2011 19:41
Não assisti a este filme ainda, mas só tenho lido ótimos textos sobre ele, como esse mesmo que você postou.
17 de setembro de 2011 22:04
Nossa, quase não reconheci seu blog, menino. Totalmente cara nova (pra variar, hehehe).
E que filme é esse? Só eu que nunca ouvi falar dele?