Entro na sala acompanhado de uma amiga e me sento à esquerda. Não gosto deste lugar, já que não favorece tanto o ângulo quando se vê o filme, ao menos inicialmente. Gosto de me sentar no meio, tenho uma estranha sensação de realização quando sento no meio. Vejo o filme pelo ângulo correto. Este estranho raciocínio é apenas para mostrar a minha sorte quando ao meu lado sentou duas senhoras muito distintas. Tomo a liberdade de chamá-las de puta mãe e puta filha (desculpe-me pelo palavreado de baixo calão, mas o blog ainda é meu, certo?). O filme se inicia e logo nas primeiras cenas a puta filha começa a reclamar sobre o ritmo e a dificuldade para entender a história central. Em nenhum momento ela se tocou que estava falando alto demais, ou, que não estava atenta ao filme. Ou seja, nunca iria conseguir compreender o que estava diante de seus olhos. Quando gloriosas imagens apareceram, ela se limitou a dizer que não tinha pagado para ver o "Globo Repórter".Não preciso dizer que quase mandei a mulher e sua mãe para as cucuias. O pior foi perceber que esta reação não foi apenas dessas duas mulheres, e sim, do cinema inteiro. Quando as luzes se apagaram, várias pessoas levantaram exaustas de suas cadeiras agradecendo a Deus pelo martírio ter chegado ao fim. Eles estão corretos em afirma isso? Sim e não. Óbvio que cada um tem a sua opinião e isso deve ser respeitado, agora há uma diferença entre gostar ou recusar algo. Nas primeiras cenas o público já estava sentindo como seria o filme, sendo assim, muitos preferiram criticar ou invés de prestar atenção (assim como o caso acima). Uma pena que isso aconteceu. "A Árvore da Vida" é um belíssimo exemplo de filme que levanta discussões e obriga o se espectador à por seus neurônios para trabalhar. Sua história é o mais simples possível, mas Terrence Malick não está interessado em deixar isso claro. Exagera nas imagens, nas discussões e no tom do seu filme. Exageradamente simples e até debochado, "A Árvore da Vida" se torna uma arte incompleta ao colocar as complexidades da vida. Sem explicações, Terrence Malick cria um circo de horrores aonde o ser humano é o grande astro.
A história central é o maior mistério da terra. O diretor coloca a dúvida do nascimento, o amor e o ódio. Acompanhamos o crescimento dos filhos do casal O'Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain), enquanto temos o prazer de ver o "nascimento" e a "evolução" do Planeta Terra. Em paralelo, ainda temos Sean Penn em tempos atuais vivendo o filho mais velho do casal. Vemos o filme, praticamente, pela ótica de uma criança. Jack é uma criança destemida, mas que com o passar do tempo se torna rebelde ao questionar os ensinamentos de seus pais. Enquanto a sua mãe é doce e tenta criar os seus filhos com boa índole, o seu pai vai à contramão e de forma rígida tenta criar homens. Ambos tem uma luta travada entre si, claro que o lado mais forte (o pai) ganha. Terrence Malick evidencia o ser humano de forma ímpar. Jack, por exemplo, possui momentos dúbios e sempre está mudando de opinião. Não entende o pai e prefere vê-lo morto, mas ainda sim consegue amá-lo quando o pai decide dar uma brecha. A esposa tão calma e doce vira uma leoa quando preciso e o pai tão rígido vira uma manteiga derretida quando abre o coração aos seus filhos. Personagens humanos e de características forte. Sem estereótipos. Algo necessário para a história que Malick decide contar.
O nascimento do Planeta Terra pode ter vários significados, mas em uma cena especial merece uma atenção maior. Um dinossauro pisa (ou apenas passa o pé?) em um dinossauro pequeno que estava descansando a beira de um rio. No momento, ao menos, pareceu ser uma clara alusão à relação de Jack e seu pai. Ou seja, desde os primórdios da terra temos a dificuldade de manter relações. Jack cresce e se torna apenas um rascunho do seu pai. Totalmente infeliz, desde a infância. Mas isso é algo que merece uma reflexão, já que a primeira vista é impossível não prestar atenção apenas nas gloriosas imagens que tomam conta do filme. Mas em um resumo, "A Árvore da Vida" é isso: um estudo sobre o ser humano, suas relações interpessoais e aquilo o que ele prefere acreditar (a religião possui uma discussão própria dentro do filme). Terrence Malick fez apenas um filme com as dúvidas, mas não ousa em respondê-las. O filme possui boas atuações, sendo de Chastain, Pitt e das crianças as melhores. Sean Penn se torna apenas um figurante de luxo. "A Árvore da Vida" é o típico de filme que precisa ser visto e revisto várias vezes para conseguir construir uma opinião sólida ou entender a sua magnitude. Mas ainda sim, é um filme extraordinário.
The Tree of Life | Terrence Malick, 2011
11 de setembro de 2011 21:48
Ainda não assisti a este filme e, por isso mesmo, tenho evitado ler o máximo que posso das críticas que estão saindo, porque eu mesma quero tirar minhas próprias conclusões e interpretações da história. Porém, espero assistir a um lindo filme.
11 de setembro de 2011 22:07
Às vezes fico meio confuso sobre o que esperar desta filme, mas espero poder assistir logo.
11 de setembro de 2011 22:10
Aqueles que esperam um filme passatempo, vão se decepcionar com "A Árvore da Vida", já que é um filme que exige do espectador total atenção para compreender o sentido e as transições da vida. Gostei, especialmente da fotografia e das atuações de Brad Pitt, Jessica Chastain e do menininho que faz o Jack. ;)
11 de setembro de 2011 22:10
Ainda não assisti este filme, mas estou bem curioso para saber qual será a minha opinião sobre ele, porque até agora as criticas estão sendo bem heterogêneas.
11 de setembro de 2011 23:30
Se você curte uma experiência extremamente sensorial e contemplativa, vai gostar. Eu amei.
http://cinelupinha.blogspot.com/
11 de setembro de 2011 23:35
Este filme é uma obra de arte. A reação das suas "colegas" de poltrona é esperada, estamos muito acostumados com o óbvio, a não pensar e nem sentir. E o filme exige tudo isso de quem o assiste, é preciso uma sensibilidade extrema que ultrapasse a fé ou a razão. É preciso simplesmente sentir.
12 de setembro de 2011 16:56
Dizem que este filme é muito bom. Certamente será daqueles que verei brevemente. Parabéns pelo artigo!
12 de setembro de 2011 20:16
Genthy, que horror a atitude destas pessoas! fico estarrecido ao pensar na intolerância abrupta de várias "gentis". Enfim, o estranhamento delas somado a teus comentários me fez querer conferir todas estas imagens e histórias! :D
Um abraço!
12 de setembro de 2011 21:08
Tive uma experiência muito semelhante na sala de cinema quando fui ver A Árvore da Vida. Cheguei a conclusão que é um filme tão íntimo que deveríamos ver sozinhos e tirar nossas próprias conclusões, sem interferências externas.
16 de setembro de 2011 17:21
Eis a pior parte de morar no interior: eu não tenho nem ideia de quando poderei assistir A Árvore da Vida... Moro em uma cidade de mais de 100 mil habitantes, que não tem nenhum cinema (pasmem). A sala mais próxima fica em uma cidade a 100 km de distancia, sendo assim o jeito é esperar...
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http://sublimeirrealidade.blogspot.com/
17 de setembro de 2011 22:48
Texto de um cinéfilo espectador sincero. Parabéns Alan! Ainda não tinha lido este post ;)
Acho o filme extraordinário também. Imageticamente lindo, mas preciso rever outras vezes para absorver melhor. Olha, não fui a uma sessão justa e mesmo assim o filme nos prende! O cinema de Malick é assim mesmo.
Abraço
22 de setembro de 2011 17:03
Achei o filme lindo e tocante, Sai do cinema extremamente mexido com o filme! Lindo!
24 de setembro de 2011 15:50
Um filme que quero muito assistir, e como!
Belo texto!
Estou com um novo blog que busca atingir o público cult... um blog sobre cinema (principalmente), literatura e etc... arte em geral. E gostaria de firmar uma parceria com este ótimo espaço.
Abs!
http://www.terradocult.blogspot.com/
26 de setembro de 2011 15:59
Assistir a "Árvore da vida" é uma experiência única e requer um mergulho absoluto nas intenções do diretor e para dentro de si mesmo... não é para quem vai ao cinema comer pipoca e falar no celular.
Tenho pena dessa gente, que deixou de ter uma experiência total com este belo filme, que atinge ou emocionalmente ou espiritualmente a plateia. Eu não esperava gostar, mas saí do cinema embevecido.
Beijos
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com