A áurea predominante durante toda a exibição de "Não me abandone jamais" é a mesma: tristeza. O clima melancólico se inicia desde a primeira cena. Impossível não se emocionar ou apreciar ao máximo a delicadeza presente no filme. Algo engraçado essa questão: somos seres humanos e sabemos que cinema, apesar de tudo, é ficção, portanto nem tudo é real. Porém, existe algo maior que isso, avassalador e envolvente, que faz a emoção fluir, sem limites. É uma estranha constatação, mas talvez seja a minha explicação favorita sobre amar o cinema: a capacidade de mexer com os meus sentimentos mais íntimos. Pois bem, mexer com os sentimentos e manipular a emoção são algo que "Não me abandone jamais" consegue realizar com maestria. É bom frisar desde já, que o texto a seguir irá conter spoilers, até por que é praticamente impossível escrever algo sobre o filme sem liberar spoilers, o tema do filme por si só, já é um spoiler.A trama se inicia em forma de flashback, quando acompanhamos por narração, a história de três jovens: Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley) que desde cedo tem suas vidas entrelaçadas com um único propósito. Os três jovens seguem a vida dentro de um colégio interno, conhecido como Hailsham. O colégio, aparentemente normal, é uma estranha instituição de ensino que treina jovens para um estranho futuro: ser doadores de órgãos. Os jovens ficam sabendo da situação na adolescência, já que não terão acesso a uma vida comum. Quando chegar a fase adulta se inicia as doações, algo que não há saída para eles. O roteiro não faz questão de responder a nossas dúvidas, porém, permite diversas conclusões para todas elas. Em determinado momento, sabemos que todos eles foram moldados, partindo de um ser humano "original". Ou seja, são feitos cientificamente. Portanto, isso já responde a questão da fuga. Pois, se esta não é uma condição de vida viável a eles, porque eles não fogem? A disciplina imposta pela escola se torna uma resposta viável, levando em consideração que eles sabem que foram feitos exatamente para isso. Não há saída.
Surgem as questões, mas estamos diante de um romance poderoso. Kathy é apaixonada por Tommy, que por algum motivo inicia um romance com Ruth (melhor amiga de Kathy) que para a infelicidade de Kathy dura toda adolescência até a fase adulta. Acompanhamos todo o sofrimento de Kathy para tentar entender tudo isso. Mesmo sabendo que amava Tommy realmente, porque Kathy nunca tentou evidenciar isso a ele? E, porque Tommy iniciou um namoro com Ruth, mesmo amando Kathy? São perguntas sem respostas e até mesmo desconexas, mas o roteiro é básico ao destacar os motivos de Ruth para tudo aquilo. Mesmo que agora eu enxergue tais dúvidas, é impressionante o poder de persuasão que o filme possui. Ele envolve de tal forma que fica apenas a torcida para que romance entre Kathy e Tommy dê certo, mesmo que o final trágico já seja algo esperado desde a primeira cena. Impossível se limitar a isso, quando também temos questões de vida e morte em jogo. Vale a pena morrer por alguém desconhecido? Ou, saber que o seu fim está próximo? Independente de tudo isso, eles só tinham uma única certeza: as doações viriam, e a morte também.
A direção de Mark Romanek (o mesmo de "Retratos de uma Obsessão") é eficiente ao colocar os sentimentos em evidência e deixar o filme ao extremo neste sentido. A melancolia presente é duradoura. Eu, ao menos, vejo isso como uma qualidade. Pois, é difícil manter um tom melancólico durante todo o filme. A fotografia é belíssima e fazendo jus ao "ambiente" do filme, temos uma trilha sonora de rasgar o coração de qualquer um, já que entrando em junção dos outros aspectos, funciona perfeitamente bem: em total sintonia. As atuações são esplêndidas, e mesmo que Keira Knightley e Andrew Garfield tenham ótimas atuações, é em Carey Mulligan que o filme esconde toda a sua força. Realmente, a atriz demonstra ter um futuro promissor, já que talento ela tem de sobra. Não vou negar que foi difícil desenvolver algo sobre o filme (está acontecendo muito ultimamente), mas, esse é o tipo de filme que não basta falar algo e sim, sentir e se entregar ao máximo. "Não me abandone jamais" é um produto cinematográfico poderoso para quem está disposto a apreciá-lo.
Never Let Me Go | Mark Romanek, 2010
7 de agosto de 2011 11:07
Esse filme foi um dos melhores que assisti esse ano. É um amor contado quando o mundo perdeu a humanidade e subestimou os sentimentos. E o resultado é tão belo, tão doce e tão triste, me faz até ter repulsa da raça humana em ver até onde chega a indiferença. Você tem razão, Carey Mulligan está maravilhosa e se continuar, ela já pode se garantir com atriz. E como você falou, é um filme para se sentir.
Abraços!
7 de agosto de 2011 11:51
Agora o novo homem aranha começa enfim dar as caras...
Boa semana Fã!
7 de agosto de 2011 11:56
Poxa, preciso assistir! Ainda mais depois de ter lido o seu texto. Gostei bastante também do cartaz do filme. Parece muito bom.
Abraço e bom domingo!
7 de agosto de 2011 12:12
Colocar os cartazes dos filmes é uma boa ideia, alan. Legal mesmo!
olha ele aí, o garfield. crescem as minhas expectativas para o homem-aranha. gostei da atuação dele em A Rede Social, mais um mainstream para a minha coleção.
abraços
7 de agosto de 2011 13:21
Alan, um dos melhore do ano, adorei tb, um filme que desde ja me marcou.
As vezes é dificil escrever sobre obras q gostamos, fica a impressão de diminui - la ou não conseguir fazer um texto a altura, mas o seu está bem bom! GRande abraço
7 de agosto de 2011 14:57
Achei esse filme bem mais envolvente do que o livro que foi baseado. Achei-o bem sutil na questão de coisas que o trio quer realizar, mas eles estão impedidos de casar, por exemplo. O destino deles já está traçado, sabe. Além de ter uma trilha sonora bela e ótima atuação do Garfield. ;)
7 de agosto de 2011 16:09
Confesso: o livro é bem chato, nem consegui terminá-lo, mas o filme é excepcional! Delicado, sensível, honesto, avassalador. A trilha sonora e a fotografia são deslumbrantes e o elenco é de aplaudir de pé, em especial Andrew Garfield e Carey Mulligan. Impossível não se emocionar!
Beijos
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com
7 de agosto de 2011 23:51
Pungente trabalho, é impossível não saírmos arrasados, emocionalmente, né? Mexeu comigo também. Mais um filme esquecido no Oscar, lamentável. Será difícil rever esse.
Parabéns pelo texto!
Abraço
8 de agosto de 2011 11:34
Eu sabia que vc ia gostar desse filme Alan. dos mo no Brasil em 2011. Sensível, humano, profundamente emocional e relevante.
Os três atores estão, como vc disse, esplêndidos.
Abs
8 de agosto de 2011 13:00
Eu simplesmente adorei esse filme. Sério. Preciso até reve-lo novamente.
8 de agosto de 2011 22:53
Ahhhhh,Alan...Ainda não vi esse,mas prometo que verei assim que puder!Pelo teu post(que está ótimo,por sinal),parece muito bom de ver mesmo!Baita abraço,Alan!!! =D
http://thecinefileblog.blogspot.com/
8 de agosto de 2011 23:06
Quero muito ver esse filme!
9 de agosto de 2011 10:35
Que lindo que tá o blog *_____*.
E o filme parece bom. Boa semana!
9 de agosto de 2011 18:46
Me dá tristeza e angustia no filme todo. Bem isso o que vc falou, a gnt passa o filme se perguntando porque simplesmente eles nao fogem. Mas sim, eles cresceram com as pessoas dizendo para eles porque eles foram feitos, e qual é a missao deles na vida. Nao mto diferente da nossa vida real, se fomos a fundo nessa analogia...
Pra mim, a cena que mais chorei é quando o personagem de Garfield volta com Mulligan da casa da ex professora, e descobre que os desenhos deles de nada adiantaram, quando uma vez ele pensou que se com a transparencia de sua alma na arte, as pessoas pudessem ver que ele realmente amava de verdade. Lindo lindo né? Deu vontade de ver de novo, rs...
Gosto da relação da ficção cientifica com o tema da humanidade (no caso, da falta dela) e da banalização do sentimento...
Parabens pelo texto!
Bjs!
9 de agosto de 2011 21:00
Esse filme é lirismo puro.
Na época que assisti eu fiquei bem feliz por conta da pouca (pra não dizer nada) coisa que eu sabia do longa.
Quanto menos se sabe, melhor.
^^
10 de agosto de 2011 19:31
esta canção, esta alegria,esta tristeza me deu vontade de ver o filme
11 de agosto de 2011 09:01
Estou com esse filme aqui, pra assistir, mas ainda não tive tempo. Na realidade, acho que estou adiando a chance de assistí-lo, tendo em vista que as críticas sobre a obra foram um tanto irregulares. Mas, eu espero ser surpreendida positivamente sobre ela.
11 de agosto de 2011 19:19
Achei muito bom. A Carey Mulligan é incrível!
O Falcão Maltês
12 de agosto de 2011 09:14
Que blog mais gostoso!!!!!!!!! Adorei!!!!!!!!!!!
P.S. Amei o filme... só que o assisti c horrívelmente soncronizado em alemao... tenho que reve-lo!
12 de agosto de 2011 22:28
Vish, Alan, mudou o layout de novo por aqui? Ficou lindo como sempre hehe. Olhe, não consegui terminar de assistir o filme pq o blu-ray começou a ter um treco no meio do filme, aí já viu - quando esses aparelhos dão piti é melhor esperar eles se acalmarem. E ficou nisso. Quando eu assistir de novo, deixo minha opinião a seu dispor.
Abraços!
17 de agosto de 2011 00:45
Belo e melancólico filme, com ótimas atuações de Garfield e Mulligan. Mas confesso que esperava um pouquinho mais, algo um tanto mais memorável...
17 de agosto de 2011 10:38
Excelente filme. Fiquei encantado com a beleza das imagens e atuação sensível do trio de protagonistas.
17 de agosto de 2011 12:51
Você não sabe o quanto fico feliz quando percebo que tem muito filme novos e bons por aí e que ainda não vi, pois sei que logo, logo irei me diverti/emocionar muito vendo.
http://algunsfilmes.blogspot.com/