Stanley Kubrick foi um diretor a frente do seu tempo, basta olhar sua filmografia para perceber que o diretor gostava de explorar a sétima arte da melhor forma possível. Creio que Kubrick gostava de desafios e queria superar a si mesmo como cineasta. Mesmo que na década de setenta o cinema já tinha mais liberdade de expressão (que se iniciou na década de sessenta), é plausível argumentar sobre a coragem de Kubrick em filmar um filme como "Laranja Mecânica", filme pelo qual toda a hipocrisia humana é jogada de forma singular na tela. Da pior forma possível somos entregues para uma paranóia que envolve tudo aquilo o que é podre. Eu sei que sempre acabo caindo no mesmo assunto, porém, não consegue pensar de outro modo. Acredito que cada filme queira dizer alguma coisa e por mais clichê que possa parecer, os filmes tem algo a ensinar ou demonstrar. Cinema não é só puro entretenimento, serve como um reflexo da sociedade. "Laranja Mecânica" é isso: o reflexo de uma sociedade insana que caminha para a desgraça. Pelo menos na visão de Kubrick.
Estamos em um futuro caótico, não sabemos onde estamos e principalmente em que ano o filme se passa. Alex (Malcolm McDowell) é um jovem que adora por a sua ultraviolência em prática. Sempre acompanhado dos seus drugues, Alex rouba casas e se diverte em torturar pessoas, não vai à escola e sequer mantém um bom relacionamento com os seus pais. Odiado pelos seus amigos, acaba sendo preso após matar uma mulher. Alex é sujeitado há passar quatorze anos na prisão. Sabendo que não irá aguentar começa a se apegar a religião como forma de mostrar uma grande mudança. Sabendo do seu poder de persuasão, Alex consegue se livrar da cadeia após ser aceito em se tornar a nova cobaia de um experimento que promete tirar a insanidade do mundo, fazendo com que a criminalidade seja reduzida. Afinal, qual a importância da cadeia se os presos não mudam? Alex aceita o desafio e encara ser o experimento. Ele só não contava com a mudança e a dor. Ser a cobaia de alguém nunca fora tão difícil. Em uma das sequências mais importantes do filme, Alex é forçado a ficar com os olhos abertos (que ficam presos com grampos) para ver filmes, algo que faz parte do processo da "cura".
Após todo o sofrimento de intermináveis duas semanas, Alex é solto, claro, após provar perante a sociedade que está completamente curado. Mas, quais foram às consequências? Quais as opções de Alex? Afinal, ele fez isso apenas para fugir da cadeia. As consequências são horríveis, pois impedem de Alex retomar a sua vida ou ser um cidadão comum. Alex não consegue sentir raiva ou se defender quando for o necessário, sempre virá uma dor interminável que resulta em ânsia de vômito. Alex estava curado. O governo estava satisfeito. A sociedade, nem tanto. Nesta terceira fase de "Laranja Mecânica" acompanhamos todo o processo de redenção, é difícil falar se Alex estava realmente curado, pois sabemos que ele se sentia mal diante daquilo tudo, mas qual era o seu verdadeiro desejo? Qual era o verdadeiro Alex? Neste momento, ele apenas sofre pelos erros cometidos. Um a um, aparece para fazer como convém a sua vingança pessoal. Lembre-se, Alex não podia revidar. Não queria sentir a dor. Após a vingança e o sofrimento, Alex faz o necessário e pela segunda vez ele parece estar curado. Mais uma vez o governo toma partido. Havia chegado a hora de Alex voltar à ativa.
"Laranja Mecânica" é um filme com uma base solidificada que possui diversas variações. Mesmo que o seu contexto permita uma análise, é possível ter vários pontos de vista. Porém, nunca um título foi tão bem colocado como aqui: No final, Alex era apenas uma laranja mecânica, pois ele havia sido moldado daquela forma. Impossível não se sentir atraído por este contexto e claro, não associá-lo com a nossa vida. Basta ver a hierarquia em que somos introduzidos. Todos, sem exceção, são uma laranja mecânica. Stanley Kubrick conseguiu o que queria, ele sempre consegue. O filme obtém excelentes atuações, principalmente de Malcolm McDowell que, praticamente nasceu para dar vida ao Alex. A fotografia é belíssima, assim como a trilha sonora que é de um primor insuperável. Porém, a direção é a grande atração. É perceptível o cuidado de Kubrick em cada cena e principalmente a sua preocupação de entregar um bom filme. Dito isso, "Laranja Mecânica" consegue ser um dos melhores filmes de todos os tempos, afinal, é difícil encontrar um filme como este, aonde tudo caminha para a perfeição. Uma verdadeira obra-prima.
Estamos em um futuro caótico, não sabemos onde estamos e principalmente em que ano o filme se passa. Alex (Malcolm McDowell) é um jovem que adora por a sua ultraviolência em prática. Sempre acompanhado dos seus drugues, Alex rouba casas e se diverte em torturar pessoas, não vai à escola e sequer mantém um bom relacionamento com os seus pais. Odiado pelos seus amigos, acaba sendo preso após matar uma mulher. Alex é sujeitado há passar quatorze anos na prisão. Sabendo que não irá aguentar começa a se apegar a religião como forma de mostrar uma grande mudança. Sabendo do seu poder de persuasão, Alex consegue se livrar da cadeia após ser aceito em se tornar a nova cobaia de um experimento que promete tirar a insanidade do mundo, fazendo com que a criminalidade seja reduzida. Afinal, qual a importância da cadeia se os presos não mudam? Alex aceita o desafio e encara ser o experimento. Ele só não contava com a mudança e a dor. Ser a cobaia de alguém nunca fora tão difícil. Em uma das sequências mais importantes do filme, Alex é forçado a ficar com os olhos abertos (que ficam presos com grampos) para ver filmes, algo que faz parte do processo da "cura".
Após todo o sofrimento de intermináveis duas semanas, Alex é solto, claro, após provar perante a sociedade que está completamente curado. Mas, quais foram às consequências? Quais as opções de Alex? Afinal, ele fez isso apenas para fugir da cadeia. As consequências são horríveis, pois impedem de Alex retomar a sua vida ou ser um cidadão comum. Alex não consegue sentir raiva ou se defender quando for o necessário, sempre virá uma dor interminável que resulta em ânsia de vômito. Alex estava curado. O governo estava satisfeito. A sociedade, nem tanto. Nesta terceira fase de "Laranja Mecânica" acompanhamos todo o processo de redenção, é difícil falar se Alex estava realmente curado, pois sabemos que ele se sentia mal diante daquilo tudo, mas qual era o seu verdadeiro desejo? Qual era o verdadeiro Alex? Neste momento, ele apenas sofre pelos erros cometidos. Um a um, aparece para fazer como convém a sua vingança pessoal. Lembre-se, Alex não podia revidar. Não queria sentir a dor. Após a vingança e o sofrimento, Alex faz o necessário e pela segunda vez ele parece estar curado. Mais uma vez o governo toma partido. Havia chegado a hora de Alex voltar à ativa.
"Laranja Mecânica" é um filme com uma base solidificada que possui diversas variações. Mesmo que o seu contexto permita uma análise, é possível ter vários pontos de vista. Porém, nunca um título foi tão bem colocado como aqui: No final, Alex era apenas uma laranja mecânica, pois ele havia sido moldado daquela forma. Impossível não se sentir atraído por este contexto e claro, não associá-lo com a nossa vida. Basta ver a hierarquia em que somos introduzidos. Todos, sem exceção, são uma laranja mecânica. Stanley Kubrick conseguiu o que queria, ele sempre consegue. O filme obtém excelentes atuações, principalmente de Malcolm McDowell que, praticamente nasceu para dar vida ao Alex. A fotografia é belíssima, assim como a trilha sonora que é de um primor insuperável. Porém, a direção é a grande atração. É perceptível o cuidado de Kubrick em cada cena e principalmente a sua preocupação de entregar um bom filme. Dito isso, "Laranja Mecânica" consegue ser um dos melhores filmes de todos os tempos, afinal, é difícil encontrar um filme como este, aonde tudo caminha para a perfeição. Uma verdadeira obra-prima.
Clockwork Orange | Stanley Kubrick, 1971

26 de julho de 2011 12:47
Você é louco por esse filme! É interessante sem dúvida, mas não "morro" de amores por ele! Porém, fico admirada com suas palavras!
hihihihi
Bjs!!
26 de julho de 2011 13:06
A visão futurista de Kubrick é sempre um diferencial para seus filmes. Adoro Laranja Mecânica porque é uma batalha épica entre moral e ética, entre o si e o que a sociedade prega pelo si. E nunca isso foi retratado de uma maneira tão grandiosa.
Abraços, e adorei teu texto! Seu último parágrafo está ótimo.
26 de julho de 2011 13:51
Acredita que ainda não vi esse filme? Já me recomendaram, tenho a maior curiosidade, mas nunca tive oportunidade de ver. Assim que tiver aproveito! =)
26 de julho de 2011 14:04
O primeiro filme que vi de Kubrick, e o que ainda mais gosto.
Imagino a sua dificuldade em escrever sobre esta obra sem igual.
"Uma verdadeira obra-prima."
26 de julho de 2011 14:28
Um filme extremamente inteligente!
Todos nós somos laranjas mecânicas? ^^
26 de julho de 2011 18:39
Não consigo gostar desse filme. Me angustia. É o único Kubrick que descarto.
O Falcão Maltês
26 de julho de 2011 19:21
Alan,nossa...Esse filme é incrível,fico tensa e perturbada do inicio ao fim,não importa quantas vezes já olhei!Grande kubrick,grande talento...Adorei tua postagem!Perfect!!! Abraços!! =D
26 de julho de 2011 22:33
Esse é realmente o grande clássico de Kubrick. E devo dizer que suas análises estão a cada dia mais primorosas e aperfeiçoadas! Adorei o novo layout!
27 de julho de 2011 00:30
Se não defendermos esse filmes temos os risco de virar laranjas mecânicas!
Gostei da sua contextualização Alan!
Abraços
Rodrigo
31 de julho de 2011 13:11
Clássico que me envergonho de dizer que ainda não assisti.
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http://algunsfilmes.blogspot.com/