Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Estréia do Sábado à noite


Arte de Marcelo Ducatti para o filme "Sábado à noite"

Não percam!
No próximo dia 15, será lançado o tão esperado "Sábado à noite", o primeiro longa-metragem desenvolvido em São Carlos. O filme contou com pouquíssimos recursos e só pôde ser concluído graças ao trabalho voluntário de muitos moradores da cidade, inclusive o do cara que escreveu estas linhas. A estréia ocorre dentro da programação do Vídeo Festival São Carlos 2008.

Estréia do SÁBADO À NOITE:
Onde?
Cine São Carlos (Rua Major José Inácio, 2154 - São Carlos - SP)
Quando?
Sábado, 15 de novembro de 2008, às 20h
Quanto?
Entrada gratuita

I could have been a contender



Acabo de assistir a uma das obras-primas do diretor norte-americano Elia Kazan: "Sindicato dos ladrões" (On the waterfront), de 1954. O excerto que coloco aqui faz parte da longa cena em que o personagem de Marlon Brando, Terry Malloy, conversa sobre o passado com o irmão. Terry, caso não houvesse aceitado os mandos e desmandos da máfia infiltrada no sindicato dos estivadores, poderia ter sido um grande lutador de boxe.

Essa cena é muito aclamada pela crítica. Brando recebeu o Oscar de melhor ator por esse filme.

Testemunhando Zé Pintor


No último 10 de outubro de 2008, no distrito de Água Vermelha, aconteceu a exibição do média-metragem “Testemunha oculta” (1969), do cineasta são-carlense José de Oliveira, popularmente conhecido como Zé Pintor. O filme só foi sonorizado agora, quarenta anos após a produção, por alunos e ex-alunos da Imagem & Som. A sessão, além dos milhares de besouros que costumam invadir a região central paulista nessa época do ano, foi acompanhada por centenas de pessoas, entre platéia, músicos da Orquestra Experimental da UFSCar, que executou a trilha sonora ao vivo, e membros da organização do Cine São Roque, projeto de exibição gratuita de filmes naquele distrito. Esse evento fez parte da programação do 2º Contato, festival multimídia em rádio, TV, cinema e arte eletrônica.

A atitude do pessoal da Imagem & Som no resgatar um dos filmes de Zé Pintor é bastante louvável. O resultado da sonorização de “Testemunha oculta”, apesar de já apresentado ao público na última sexta-feira, ainda não é definitivo, afinal resta gravar em estúdio a trilha preparada pela orquestra e acertar alguns detalhes nos ruídos e na dublagem. Esta, por sinal, em vários momentos entrava em conflito com as imagens, como, por exemplo, no excesso de gírias do século XXI nas falas de jovens da década de 1960. Ademais, ainda há que se repensar algumas vozes que não se adequam perfeitamente ao contexto das cenas.

Afora esses poréns, o material mostrado em Água Vermelha corrobora todo o potencial produtivo do audiovisual são-carlense, falando aqui tanto de Zé Pintor como dos alunos egressos da Imagem & Som.

O enredo de “Testemunha oculta”, um suspense no melhor estilo Hitchcock, acompanha as crises de consciência de Carlito, jovem que foi testemunha de um assassinato contra um chefe de jogatina. Por questões que só o desenrolar da narrativa devem elucidar, ele se cala após presenciar o crime. Contudo, surge então um serial killer que passa a apavorar os moradores da cidade.

No decorrer da fita, há o registro de toda a atmosfera que existia em São Carlos àquela época, isto é, roupas, lojas, arquitetura, carros e outros índices característicos dos anos 1960. E os detalhes técnicos cinematográficos, como enquadramentos, decupagem e elaboração de roteiro foram muito bem cuidados pelo diretor, que teve como escola os inúmeros filmes que assistia nas extintas salas de cinema de São Carlos.

Mesmo contando com parcos recursos e tirando muito dinheiro do próprio bolso para levar adiante seus roteiros, Zé Pintor não esmorecia diante das dificuldades, notabilizando-se, dessa forma, por seu empenho e grande criatividade. Só o espectador muito atento percebe que o vulto do policial a passar diante do letreiro da Delegacia num plano de “Testemunha oculta” não é o vulto de um ator, mas sim de um pedaço de papelão recortado como o perfil de um policial.

Outra característica inteligente usada pelo diretor foi apresentar o serial killer através do processo metonímico, fixando-se em detalhes que reiteram e dão fluidez às ações daquele personagem, como os pés misteriosos a se aproximar da vítima e a faca à la “Psicose” usada para os crimes.

O resgate da filmografia de Zé Pintor veio para enriquecer a história cultural de São Carlos e prestar justa homenagem a um artista de empenho quase sobrenatural. Tal resgate, é bom lembrar, vem acontecendo desde 2001, quando o documentarista Eduardo Sá lançou “Zé Pintor: Um olhar sobre São Carlos”, filme que reúne depoimentos e imagens que ilustram a trajetória de Zé Pintor e o cotidiano de São Carlos em tempos passados.

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Renaissance (1963)

Assistam a esse excelente curta-metragem do cineasta franco-polonês Walerian Borowczyk. Vejam que bela sacada e que perfeita execução da técnica do stop-motion.


Dica: ponha o filme pra carregar enquanto você lê texto, na postagem anterior, algo sobre a carreira do diretor.


Fala de Gilda


Na verdade, a fala a seguir não foi proferida pela Gilda, mas sim pelo funcionário onisciente que trabalha no cassino do filme "Gilda" (1946), com Rita Hayworth e Glenn Ford.

Gilda, a personagem de Hayworth, fuma demasiadamente. Num determinado momento o funcionário do cassino lhe diz:

"Só as pessoas frustradas fumam muito. E só os solitários são frustrados."


Se isso for verdade, estou perdido. Preciso parar de fumar.

Notas sobre a carreira de Walerian Borowczyk


O diretor polonês Walerian Borowczyk (1923-2006), antes de erradicar-se na França em 1959, estudou na Academia de Belas Artes de Cracóvia e durante certo tempo trabalhou com pintura e litografia. Os cartazes cinematográficos que criava acabaram lhe rendendo um prêmio em seu país de origem.

Em fins dos anos 1950 e durante toda a década de 1960, Borowczyk dedicou-se a desenvolver animações de curta-metragem marcadas fortemente pelo surrealismo e utilizando diversas técnicas e materiais. Dentre os filmes que produziu então, destacam-se “Les Astronautes” (1959), que retrata uma viagem pelo Espaço e mescla fotografia e colagem, “Renaissance” (1963), animação em stop-motion na qual um cenário completamente destruído vai se reconstruindo aos poucos, para depois ser novamente destruído, e “Rosalie” (1966), baseado em conto de Guy de Maupassant em que uma moça, Rosalie, monologa sobre o homicídio que cometeu contra seu próprio filho recém-nascido. Com esta adaptação da obra de Maupassant, o cineasta ganhou, em 1966, o Urso de Prata em Berlim.

Apesar do sucesso dessas e de outras brilhantes animações, Borowczyk, em fins da década de 1960, começou a embarcar na relação entre cinema, literatura e sexualidade, que funcionou durante algum tempo, mas acabou por denegrir sua imagem e o fez levar adiante uma estética marginal e grosseira. Colocar a sexualidade em discussão sem adentrar o campo da pornografia não é tarefa fácil. O diretor mais preciso e consciente no lidar com esse assunto no cinema foi, sem dúvidas, o italiano Pier Paolo Pasolini, que soube dar o peso certo a cada elemento que incorporava a seus filmes. O diretor franco-polonês tentou fazer o mesmo. Entretanto, não sendo detentor da habilidade de Pasolini, caiu em armadilhas que fizeram com que a qualidade de sua produção caísse vertiginosamente.

O longa “Contos imorais” (1974) foi um dos poucos filmes que obtiveram notoriedade nessa vertente que Borowczyk escolheu seguir. Através de uma viagem temporal regressiva constituída por quatro histórias independentes mas unificadas pelo próprio título da obra, “Contos imorais” vasculha manifestações lendárias e escabrosas sobre a sexualidade. Paloma Picasso, a filha do grande pintor espanhol Pablo Picasso, participa de um dos segmentos do filme, vivendo o papel de Erzsébet Báthory, condessa húngara que, segundo contam, promovia violentas orgias no século XVI.

Borowczyk, como cineasta, foi um grande artista plástico. Por questões que desafiam a razão, ele embarcou na produção de filmes pretensamente “cult” e geralmente adaptados da literatura libertina ou de lendas de diversos países. Seu jeito de filmar privilegiava menos o conteúdo do que a plasticidade das cenas, o que foi um fator crucial para o insucesso de grande parte de seus longas. De tão excessivos, os closes que fazia da nudez, principalmente feminina, acabaram por agradar ao público consumidor de pornografia, público do qual o diretor procurava fugir.

Mesmo tendo produzido intensamente, Borowczyk é pouco lembrado. O grotesco de “A Besta” (1975) e as muitas arestas de “Les heroines du mal” (1979), para ficar apenas com dois exemplos emblemáticos, explicam o porquê. O fino da produção do diretor está nos seus primeiros anos de França. Seus curtas estão disponíveis na internet.

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Primeiro aniversário do Cinegrafia

SALVE, LEITORES! O Cinegrafia completa hoje um ano de existência. Olhando para trás, reparo que não foi pouca a atividade nesse tempo que passou, assim como também não foram poucas as pessoas que por aqui passaram. Além da liberdade que o blog, como suporte, oferece para a escritura, ele ainda proporciona prolífica comunicação com leitores e melhorias no estilo e fluidez da escrita, bastando que, para tanto, tenhamos Disciplina. Esta, por sua vez, tem sido minha utopia, a qual busco incessantemente. Que a minha busca por Disciplina dê vida longa ao Cinegrafia.